Do Alentejo, passo hoje para o Douro, mais concretamente para um vinho tinto que me chegou às mãos ontem, e que não pude esperar mais por saborear e experimentar. Quinta dos Murças Reserva 2010.
Nestes tempos modernos em que uma grande parte do processo de produção de um vinho é feito mecanicamente, desde as vindimas, com as grandes máquinas que são capazes de colher os cachos de uvas de hectares de vinha em algumas horas, até à prensagem das uvas que era feita a pé e que hoje em dia é feita na maioria dos casos por máquinas… é muito bom encontrar este vinho que segue a tradição desde a apanha até à vinificação, tudo é feito com a presença humana.
E o que posso dizer deste vinho, é que é na realidade muito bom proveniente de vinhas velhas, plantadas em solos de xisto e sem recurso a regas.
Estas características de solo e clima, transparecem no sabor e aroma deste vinho que depois de aberto nos invade os sentidos, com uma cor profunda, um aroma suave com uma certa acidez e uma permanência na boca que nos leva às encostas do Douro agrestes e de uma beleza única.
Este vinho faz-me recordar algumas visitas que fiz a quintas do Douro, há uns anos, em que a hospitalidade e a simpatia das pessoas é uma das melhores memórias.
Mais um vinho que celebra o que Portugal tem de bom.
